sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

I'm the queen of the world

Não é porque sim. Ou melhor, não é só porque sim. Porque gosto. É mais do que isso, verdadeiramente. É porque preciso. No outro dia, em conversa com a querida P., ela disse exatamente o que eu sinto mas nem tinha dado conta: preciso. Preciso, fisica e psicologicamente falando.

Quando marco a viagem, penso no roteiro ou faço a mala, não me é indiferente. Nenhum passo do processo me é indiferente porque efetivamente preciso de tudo isso para voltar a encher os pulmões de ar. Preciso de fazer viagens, sejam só de um final de semana, de três semanas ou de três dias. Viagens que levem 15h de avião ou apenas cinquenta minutos. Preciso de sair daqui, abrir o coração, a alma e os olhos para tudo o que o mundo tem para me dar.

Em viagem sou mais eu: sou uma pessoa com tempo, com disponibilidade para absorver tudo. As preocupações, os telefones, as solicitações ficam em terra, e sou toda olhos para o que estou a conhecer, a rever ou até a re-re-rever.

Preciso de viajar como há pessoas que precisam de jantar fora uma vez por semana; de ir ao ginásio com regularidade ou de comprar roupa todos os meses. Preciso de viajar como há pessoas que precisam de fazer meditação e outras de estar dozinhas durante umas horas. É físico. E psicológico. Verdadeiramente.

Lembro-me de que no ano passado me custou imenso não viajar ali em meados de Outubro ou de Novembro, algo que faço há já um tempo. Às vezes vou só um final de semana, outras vezes mais tempo. Mas tento ir. Este ano não deu, porque havia uma viagem grande marcada para o final do ano. Custou-me. Doía cá dentro e eu não o conseguia controlar.

Sim. Eu sou o género de pessoa que quando marca uma viagem começa a fazer contas à vida para marcar já a próxima. Que passa o tempo a ver promoções, oportunidades, histórias para escolher o próximo destino. Sou a pessoa que fica histérica quando tem uma reserva feita e que vive ansiosa com a chegada do dia da viagem. Que exulta de excitação a fazer a mala mesmo que odeie fazê-la.

Isto torna-se, às vezes, muito difícil quando são casados com uma pessoa que, como o meu querido marido, gosta de viajar. Ponto. É só isto. Até gosta. Mas se não viajar, tudo bem também. Eu vivo na expectativa de ter dinheiro e tempo para fazer só mais uma viagem. Ir só mais uma vez ou só a mais algum lugar. Temo que a culpa disto seja dos meus pais que desde cedo nos incentivaram a isso: a ir. A conhecer. A saber mais.

Mas sofro tanto se tiver que cortar nas viagens que nem vos consigo explicar. Este ano já estou a sofrer por antecipação por não conseguir antecipar lá grande coisa. E já se me aperta o coração e a garganta e o estômago. É físico. E psicológico.


1 comentário:

  1. Concordo com tudo!
    Se os dias me correm mal vejo voos para destinos que constam na minha lista de objetivos...
    Viajar carrega baterias para lutar no dia-a-dia, limpa a cabeça e o coração das coisas más e preenche-os de frescura, de cheiros, cores e energia positiva de outros lugares.
    Quem me dera ter mais possibilidade económicas e dias de férias para o fazer.
    Felizmente o meu marido adora viajar!
    Beijinho

    ResponderEliminar

Ocorreu um erro neste dispositivo