terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Adeus, [loucos anos] 20

Quando a F. muda de idade, eu sinto-me imediatamente em pânico. O que não faz sentido nenhum, porque nós temos cinco meses de diferença e portanto é só tonto. Mas por alguma razão sempre olhei para o aniversário dela como o que antecede o meu e quando ela chegou aos 30 bateu a primeira badalada do pânico.

Ainda me lembro de sermos miúdas e acharmos que aos 30 a nossa vida ia ser incrível, com um marido, quatro filhos, uma casa com jardim, cães, o trabalho de sonho, todas as viagens que quiséssemos..íamos ser adultas assim à séria.


Há umas semanas a SuriCreme entrou nos 30, e como já é seu apanágio, decidiu convidar a malta para se despedir à grande dos anos 20. Festa é festa e portanto toda a gente tem que estar a rigor para dizer adeus a uma década e tanto e dar as boas-vindas aos espetaculares anos 30.


Estou a pouco tempo dos 30, tenho um marido espetacular e não tenho filhos. Mas tenho um gato, tenho um trabalho que adoro e faço umas viagens porreiras, apesar de ainda não serem todas as que queria. Não sei se somos adultas à séria. Na verdade, acho que somos as mesmas miúdas, ainda, mas com vida de gente crescida, com tudo o que isso tem de bom e de mau.


Os 30 estão a chegar e eu sempre disse que não ia fazer diferença nenhuma. Mas na verdade eles estão quase a bater à porta e eu sinto algo de estranho. Não sei o que é, mas é como se efectivamente alguma coisa fosse mudar. Provavelmente não mudará nada. E nem sinto isto por achar que os 20 foram os melhores anos da minha vida - acho, acredito realmente que o melhor ainda está por vir, e vivo nessa expectativa ou isto não teria graça nenhuma. Sinto que algo vai mudar, mas que cá dentro a miúda bochechuda e loira que adorava brincar às lojas de coisa nenhuma, às barbies e que adorava passar o Verão a ler e reler os livros da Casa na Pradaria vai continuar a mandar nisto.

Não vou dizer adeus aos anos 20 vestida a rigor. Já o fiz, pela M. Mas vou certamente receber os 30 na certeza de que tenho as pessoas mais incríveis - e mais infantis, e mais histériacas e mais tolas e mais maravilhosas - na minha vida. E vou pedir, de coração, que fiquem cá por mais 30 anos, para ver se aos 60 somos finalmente adultos.

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