quarta-feira, 25 de março de 2015

Queridas, queridas pessoas minhas

Não é fácil deixar pessoas entrar. Nas nossas vidas, nos nossos espaços, na nossa cabeça. Ao longo dos anos as memórias vão-se construindo com base nas pessoas que são nossas. Naquelas que fazem ou fizeram parte do nosso imaginário em determinado momento. Umas foram ficando. Muitas mais estiveram somente de passagem, e deixaram em nós alguma pena, alguma tristeza por não terem ficado. Outras deixam uma saudade suave, e ainda há aquelas que nem sequer deixam memória.


Antes era coisa que me angustiava. Agora penso em tudo com um sorriso, e percebo que mais importante que as pessoas que decidiram ir são as que decidiram ficar. E as que decidiram aparecer. Estar disponível para receber no coração, na vida, pessoas novas, é também um exercício de coragem. Porque nem sempre é fácil sairmos da nossa zona de conforto, nem sempre é fácil sermos quem somos junto de gente nova.


É também um exercício de gratidão, porque devemos sempre aceitar o que a vida nos dá e retirar daí o melhor. As pessoas, no seu melhor, são o maior tesouro que qualquer um de nós pode ter na vida. São elas que nos bastam, sempre, e em qualquer ocasião. São elas que nos devem bastar.


A três dias dos trinta, não podia estar mais grata pelas minhas pessoas. As que decidiram ficar, as que decidiram partir mas deixaram tanto em mim. As que me continuam a aparecer. As que também fazem de mim o que eu sou.


Counting down -3

Custa muito aceitar. Mas é das maiores aprendizagens destas [quase] três décadas.

sábado, 21 de março de 2015

Happiness is..

Ontem foi dia internacional da felicidade. Ou hoje!, para mim que ainda não dormi. Ontem foi dia internacional da felicidade e eu não fazia ideia porque tive mais que fazer. Fazer o que me faz feliz!, a bem da verdade. Estive três dias a trabalhar com pessoas incríveis ali mais no centro da Europa!, e foi.. Feliz. Eu sou efectivamente feliz no que faço. Mesmo quando não durmo. Mesmo quando escrevo até as 3h da manhã. Mesmo quando há peripécias que não deixam estarmos a 100% mas só a 70%, num ambiente que não é nosso mas que é ao mesmo tempo. Tão nosso.

Ontem foi o dia da felicidade e eu fui tão feliz que não há palavras para descrever. Nesta minha contagem dos dias que faltam para os trinta!, a única coisa que sei dizer é que ainda sou surpreendida!, todos os dias, pela capacidade que o mundo e as pessoas têm de me fazer feliz.

Se isto não é motivo para agradecer!, então não sei o que será.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Counting down -9

Lembro-me, aperta-se-me o coração como se fosse hoje. Lembro-me perfeitamente de parar, mochila às costas, duas malas nas mãos, olhar perdido, um calor de morte. E de pensar: O que raio estou eu a fazer aqui, só com um bilhete de regresso daqui a seis meses? A resposta veio nos meses seguintes. As pessoas que me apareceram ao caminho não podiam ser mais incríveis. Os seis meses rolaram para um ano. Para mais, tivesse a vida querido que assim fosse.
O Brasil entranhou-se-me na pele como se fosse meu. Às vezes sinto-o mais meu que Portugal. É o que é. A ele devo muito do que sou hoje. Foi um ano que valeram por dois ou três. O Brasil trouxe-me pessoas incríveis sem as quais não saberia hoje como viver. Amigos. Mentores. Fontes. Contatos.

Regressei a Lisboa decidida a voltar a São Paulo. Arranjei trabalho e fiquei. De repente, aos 25 anos, escrevia num dos melhores jornais do país sem saber muito bem porquê. O Brasil foi-me ajudando. Tantas histórias foi possível escrever com ele como pano de fundo. E continuar a escrever em sotaque de além-mar, em jornais tão bons. Fiz amigos, colegas incríveis, cresci tanto. Tive o melhor editor, e isso permitiu-me abrir asas e voar.

Reencontrei o João – o Juanito – e apaixonámo-nos. Seriamente. Tão seriamente que percebemos [eu percebi] que não podíamos viver um sem o outro. Não fazia sentido. Não poderia fazer sentido. Vivemos o dia mais maravilhoso da nossa vida com as pessoas que nos são tanto. Poucas, certas. Não foi um casamento de princesa. Não esteve tudo perfeito. "Foi a vossa cara", disse-me a Carolina. Acredito nela. Foi atabalhoado, simples, descontraído, sem grande beleza romântica. Foi o nosso dia e nós adorámo-lo. Fomos absolutamente egoístas nesse ponto: queremos que seja o dia em que nos divertimos absurdamente. E foi.

Fizemos uma das viagens das nossas vidas – vamos voltar, vamos?? :)

Comecei a pensei em sair do jornal, por razões várias. Um dia o meu telefone tocou. "Estarias interessada em...?". Duas propostas numa semana e eu só tinha pensado em sair, não tinha feito mais nada para além de pensar. Os sinais não podem ser ignorados, nunca. Saí. Abracei um novo projeto que, na verdade, nunca senti como meu. Mas nunca esquecerei a honra que foi partilhar o mesmo espaço com algumas daquelas pessoas, nunca poderei esquecer o que aprendi, o que soube, e também as provas por que passei. E nunca poderei esquecer de que fiz parte dele, o que me orgulha e honra profundamente. Fiquei com amigos, lá, também. Tenho a certeza. Mas ao fim de uns meses, fui-me abaixo, novamente. Aquele projeto não era meu, não era eu e eu não sou talhada para algumas coisas.
Uma amiga, no outro dia, enviou-me uma imagem que dizia: "I got out of corporate world. I couldn't keep my mouth shut". És tu, disse ela. That's me, confirmei eu. Muitas lágrimas, muitos remédios, muitas noites sem dormir, muitos dias grogue. A minha amiga Teresa recebeu-me de olhos inchados e coração partido. Enxugou-me as lágrimas e a seguir deu-me uma desanda. Ou várias. Das boas. Daquelas que permitem ter a outra mão livre para continuar a secar as lágrimas.

Veio a Páscoa e eu decidi sair, depois de meses de luta contra o que o João me dizia para fazer. Fizemos as malas e fomos viajar. Fui mostrar-lhe o meu país de coração, onde o meu sorriso se abre e a minha alma expande. "Tinha saudades de te ver sorrir", disse-me ele. Melhorei instantaneamente. "E agora?", perguntavam-me. "Agora? Vou aproveitar o Verão, ler muito, descansar muito e depois logo se vê".

Nos nossos planos seriam, no máximo, seis meses. Foram três. Nunca, nunca poderei esquecer aquele almoço em que ouvi: "gostava muito que trabalhasses connosco". Estava fora há um ano, a fazer zero na área. Nunca vou conseguir agradecer o suficiente a quem de direito a oportunidade que me deu de voltar ao que me faz tão feliz. Mesmo quando estou exausta. Mesmo quando estou furiosa. Mesmo quando tudo parece correr mal. Ter alguém que nos espicaça, que nos provoca, que confia, que pede, que nos faz suar, é meio caminho andado para sermos melhores todos os dias. E para termos que o agradecer. Todos os dias.

Os meus 29 anos têm sido cheios de coisas maravilhosas. Para a qual contribuiu, decisivamente, a minha família – ainda hoje não sei como foram os meus pais capazes de fazer tanto por nós, tendo tão pouco. Acho que é porque sempre tivemos o essencial: as pessoas. Os meus amigos – os que foram chegando, os que foram partindo e mesmo aqueles que ficaram durante pouco tempo.

E a certeza de que se formos bons, se procurarmos o bem, se fizermos o que acreditamos estar correcto, seremos recompensados. Muitas vezes é mais duro. Demasiadas vezes é menos atrativo do que ser igual a tantos outros. Muitas vezes parece não trazer nada de bom. Mas ser bom, fazer o bem, procurar o bem em tudo, é sermos mais plenos. E é conseguirmos ver a beleza de tudo mesmo quando as coisas parecem correr pior que mal. E sermos capazes de reter só a maravilha da vida, e deixarmos o menos bom seguir caminho.

Os meus 29 anos têm sido maravilhosos porque as pessoas certas têm estado comigo. Para o bem e para o mal. Passando a mão na cabeça, sendo cruéis, fazendo comigo este caminho que nunca foi feito só de coisas boas. Mas por isso é tão bonito: porque é feito de um monte de obstáculos ultrapassados. E de vontade de ultrapassar mais. Todos os dias.

Se dissessem àquela menina da vila que antes dos 30 teria a vida que tem hoje, que teria passado por tudo o que passou e que seria tremendamente grata pelo seu caminho, não creio que ela acreditasse. Às vezes ainda hoje não acredita. Mas acredita no amor, no carinho dos que são próximos e na vontade de fazer sempre melhor. De ser sempre mais. E acredita que os 30 poderão ser ainda melhores que os 29 passados. Para além de ter um coração a rebentar de gratidão. A rebentar.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Counting down -10

Os meus 29 anos de vida, até agora, foram bons. Foram ótimos, a bem da verdade. Em 29 anos houve momentos maravilhosos, momentos menos bons, momentos assustadores e momentos incríveis. Acho que nunca houve momentos terríveis. Se houve, demos graças à natureza por estar tão bem feita que nos não guarda memória da dor, mas só da alegria.

A minha memória não me permite recordar mais do que, talvez, uns 24 ou 25 anos da minha vida. Tenho uma ou outra lembrança que poderá ser anterior a isso – como aquela vez em que fui internada porque bebi meio frasco de remédio para o enjoo e nem conseguia falar, só dormir. Desse quarto de século, as lembranças são incríveis.

Lembro-me de ficar muito feliz quando nos mudámos para a 'casa nova'. Eu ia entrar na escola primária, que ficava a duas ruas de distância, e tinha uma casa nova. Onde havia espaço para brincar, para estudar, para correr. Por lá passaram muitos, tantos amigos: os trabalhos de grupo eram lá em casa, as preparações de atividades de escuteiros também. As amigas podiam lá dormir, o vão das escadas era incrível para ouvir conversas alheias e por debaixo daquelas portas passaram os segredos mais incríveis em formato bilhete-dobrado-em-quatro.

Lembro-me bem da minha professora primária, a professora Helena. Exigente, dura, possivelmente a melhor professora que poderia ter tido naquela idade. Lembro-me de passar para a preparatória assustada, mas na certeza de que ia correr bem porque, afinal, ia com a minha melhor amiga. A passagem para a secundária, mais dramática, porque ela queria ficar e a minha mãe queria que eu fosse. Fomos as duas, de mãos dadas, quase, para a escola dos crescidos. Brincávamos juntas, estudávamos juntas, passávamos férias juntas, crescíamos juntas. Tenho a certeza absoluta de que muito do que sou hoje devo-o também a ela, minha amiga desde que tenho memória – já passámos por tantas, tantas coisas.

Depois o secundário. Os amores, os desamores, os novos amigos. Os escuteiros, desde miúda, sempre, tão responsáveis por muito, tanto do que sou hoje. Foram mais de dez anos de uma vivência absolutamente incrível, que nunca, jamais me sairá da pele. De lá trago os melhores ensinamentos, as melhores práticas, a vontade de ser sempre melhor, junto de quem o quiser ser, também.

Quando chegou a hora da faculdade, a primeira dúvida: teatro? Os pais nem gostavam lá muito, eu era apaixonada, fiquei pela penúltima fase de entrada no Conservatório. Fui para a segunda opção – acho que a culpa foi da Lois Lane. Entrar na faculdade, ir viver sozinha para a cidade grande, crescer. Pela primeira vez, sozinha. Não havia melhor amiga – ela escolheu outra cidade, outra área – não havia ninguém conhecido, nem sequer havia ninguém com quem falar ao chegar a casa. Nada.

Houve no Verão anterior um grande, enorme amor. O primeiro. Que não cresceu mais porque não podia. Uma história bonita, muito bonita. Mas com caminhos que não estavam destinados a juntar-se. Houve uma depressão a seguir, logo no primeiro semestre do primeiro ano. Dura. Duríssima. Houve vários anos de desorientação. Com novos, bons, ótimos, incríveis amigos.
Houve mais uma aventura: estudar em Bruxelas, a cidade mais chata do mundo. Houve o fim do curso e um emprego, logo assim, sem sequer dar conta.

Oito meses depois houve outro emprego. Péssimo. Mas que me trouxe uma, duas amigas tão boas. Houve um mestrado tirado a ferros, com muito custo e muita ajuda paterna e mais uma partida. Essa, foi, talvez, uma das melhores decisões, um dos melhores riscos que tomei nestes 29 anos. O de partir, naquele dia 9 de Janeiro de 2009. Aos 24 anos o mundo era meu.

(To me continued...)

domingo, 15 de março de 2015

Counting Down -13

Ipanema 2014
A Primavera ainda não chegou, oficialmente, mas começa a dar um ar da sua graça. Já nos apetece andar fora de casa, de antenas espetadas ao sol, a tentar armazenar toda a vitamina D que pudermos, para fazermos frente aos dias menos solarengos que, de certeza, ainda estão por vir. Já se iniciou a época das ameijoas - uuhuuhh - das imperiais ao sol, das tardes com amigos, assim o trabalho o permitam.


A chegada da Primavera antecipa a chegada dos 30  - sim, este mês só dá níver aqui no blogue. Sorry - e antecipa algum descanso, thank God [e thank John, a bem da verdade;)]. Eu sou uma pessoa da Primavera. Sobrevivo ao Inverno, até gosto do frio, mas é o sol que me faz feliz. Acho que o facto de ter odiado viver em Bruxelas e adorado viver no Brasil me deveria ter dado algumas dicas sobre esta minha preferência. Adoro andar descalça, adoro andar de t-shirt, adoro andar de cabelo apanhado. Adoro que me nasçam sardas com a vinda do sol e que as janelas de casa estejam abertas para receber a luz e o calor que o Inverno nunca traz.

Adoro ver o sol a pôr-se com aquela luz incrível, e trocar conversas ocas durante esse tempo. Adoro ter vontade de rir, de gargalhar à beira-mar, à beira-rio, à beira-água. Adoro o calor que ainda não é insuprotável e as peles que começam a tisnar, aos poucos. Adoro acordar com um salto porque agora o sol brilha lá fora e os casacões podem começar a ir para limpar. Porque agora posso começar a sair de casa com o cabelo molhado e sabrinas nos pés.

Adoro fazer aniversário no mês da Primavera. Acho, sinceramente, que sou mais feliz por isso. Que me apetece animar as pessoas, no geral, porque sou filha da Primavera. Atrasei-me a nascer e agora sei porquê: seria tão mais triste se tivesse nascido no Inverno. Primavera, tempo de renovação. Primavera das novas vidas: das flores, das aves, das plantas. Primavera da felicidade e dos sorrisos abertos.  Primavera da gratidão pelo Inverno que já passou e pelo Verão que se aproxima. Primavera do coração disponível para agradecer e receber, todos os dias, mais.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Counting down -17


Março 2014
 Gastar os últimos cartuchos dos 29 a correr. Sempre a correr. Ir ao Oeste, voltar a Lisboa, à rotina, à secretária, ao telefone. Encontrar uma-das-melhores-amigas por combinação, ao sol da Avenida. Encontrar uma-das-melhores-amigas por acaso, enquanto apanhamos sol e ar e tempo num banco de jardim aleatório. Ir para Norte numa viagem bem divertida depois de uma entrevista quase em duas línguas e voltar. Acordar, a ferros, e mudar o tom. Fazer mais uma entrevista, desta vez ao sol, no meio de uma Lisboa que nem parece Lisboa. Aprender tanto. Ser surpreendida - a surpresa, sempre, o melhor desta profissão. Estar sempre em contra relógio a marcar, desmarcar, alterar planos. Como estes 29 nos ensinaram: às vezes é deixar a vida correr e não tentar ir a correr atrás dela, porque não é assim que funciona.

A gastar os últimos cartuchos com muitas letras, páginas, e dias cheios em agendas cheias. Com destinos em mente, sorriso nos lábios e de quando em vez, aqui e acolá, tempo de qualidade com quem mais se gosta, para recarregar baterias no meio deste turbilhão que é Março. Sempre. Março sempre um turbilhão. Todos os anos. Março, meu amor. Março que também me faz gostar tanto, tanto da vida. E de a celebrar. Nunca. Nunca vou deixar de gostar de fazer anos. Espero verdadeiramente que nunca aconteça.




sábado, 7 de março de 2015

Counting down -22

O bom mercado
Respirar fundo. Aproveitar o bom sono, o bom namoro, os bons mimos da família, a ausência de horários. Respirar fundo e agradecer o sol!, o mar, a areia debaixo dos pés que nos lembra os bons dias de Verão.

Respirar fundo e saber relativizar o que a vida traz de menos bom. Contornar as adversidades e sorrir-lhes!, que um sorriso desarma.

Encher o coração com as cores bonitas que a vida nos traz!, na certeza de que saberemos sempre escolher as coisas boas da vida.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Counting down -24


Ontem comecei a trabalhar às 10h. O último caracter foi escrito às 23h39, e a última página foi lida um pouco depois. Hoje o dia teve 10h, seguidas e sem direito a sair da frente do computador [novamente] mesmo durante a hora de almoço.

Rio Janeiro 2011
Adorava poder dizer que os próximos três dias vão ser para desligar. Na verdade não vão, totalmente, que há um livro para ser lido, e rápido. De qualquer forma - e se tudo correr bem - vão ser três dias sem computadores, prazos apertados e mais páginas para ler do que os minutos que nos restam.

Se tudo der certo, serão três dias em que não vou roubar todos os dispositivos electrónicos existentes em casa porque preciso de estar a ler num, a escrever no outro e a enviar sms do outro. Em que as horas do jantar não são tomadas de assaltos por documentos que deviam ter chegado à hora do almoço.
 
Os trinta não me trarão uma vida mais tranquila - eu não quero uma vida mais tranquila. A mesma vida que me deixa absolutamente exausta em alguns dias, é a mesma que, mesmo deixando-me exausta, me deixa terrivelmente feliz. Amanhã completam-se os primeiros cinco meses do regresso à loucura.  Os trinta não me trarão descanso, e eu não o peço. Peço saúde, energia e muita cabeça para saber gerir a loucura que podem ser os meus dias. E peço serenidade para saber estabelecer prioridades e não falhar a quem é importante. Para não me zangar quando os planos têm que ser todos alterados por causa dos horários, dos imprevistos, das loucuras.

Foi este o caminho que construí, a vida que fui pedindo nos últimos 29 anos. Agora é saber tirar o melhor proveito dela.

terça-feira, 3 de março de 2015

Counting down -26

Nunca fui dada a fazer desporto. Nunca. A minha mãe começou por me pôr na ginástica - a minha imrã do meio foi ginasta de competição. Eu fui uma anedota. Andei lá uns anos porque fazia bem e tinha amiguinhas e além disso podia usar maiôs giríssimos (NOT). Mas era uma nódoa, a bem dizer.

Na escola, a minha nota a Educação Física só subiu para um aceitável 4 quando tivemos natação. Nadar era uma coisa que até conseguia fazer, e nadei durante alguns anos, também levada pela minha mãe. Quando saí de lá nadava quase 1500 metros por aula, oque significa que o Phelps poderia ter um problema se eu tivesse continuado.

Depois houve aquele ano de 2001 ou 2002 (ou ambos, já não sei), em que com a querida Francisca iniciámos um programa intensivo de treinos. Todos os dias - TODOS - corríamos 30 minutos e fazíamos 30 minutos de exercícios localizados. Era-nos indiferente se estava a chover, um sol de torrar, se era as 7h da manhã ou às 20h. Não era negociável. Ficámos umas brasas nesses Verão, por acaso. Mas a muito custo, muito refilanço, e com um esforço que só foi possível porque era partilhado. Eu sempre odiei de morte fazer desporto.

Na faculdade ainda me inscrevi nuns três ginásios. Falhei miseravelmente o objectivo de lá andar mais do que três meses. Nunca senti aquela necessidade, aquela adrenalina de que toda a gente fala. Nunca! Experimentei várias modalidades e nada. Tudo é horrível.

Para não ajudar, eu não tenho tendência para engordar. Verdadeiramente. Engordo, como é óbvio, mas tenho noção de que há pessoas que se comessem o que eu como, ficariam obesas ao fim de pouco mais de um mês. E isso também não ajudou a convencer-me a fazer desporto.

Até que chegou Janeiro de 2015, e com ele a lembrança de que vou fazer trinta anos. Eu tento não estar nervosa com isto, mas estou. É que agora já não me basta fechar a boca aos hidratos durante duas semanas para perder 2Kg. Agora já se acumula gordura na barriga (SEMPRE na barriga), nas pernocas...enfim! Para além de que, apesar de eu normalmente ter uma alimentação saudável, sou menina para comer três pizzas numa semana, se houver uma urgência. Ou para jantar queijos, enchidos e vinho. O que não é lá muito porreiro para a saúde, no geral.

E portanto, não foi uma resolução de ano novo, mas foi uma resolução de "a dois meses dos 30". Preciso de me mexer. Eu passo muito tempo dos meus dias, quase todos os dias, sentada. Antes andava de transportes e portanto ainda caminhava alguma coisa, agora ando de carro de porta a porta. Senti-me a inchar e a sentir que a minha saúde não gostava.

Não vou ficar uma Giselle Bundchen. Adorava não ter barriga, mas não me esforçarei por isso. Não me está no sangue. Mas tenho-me esforçado, herculeamente, por ir nadar duas a três vezes por semana. De 100 em 100 metros já estou a nadar o dobro do que na primeira aula. Devagarinho. Sem pressão, mas aumentando o ritmo, para não desistir mas também para fazer algum bem.

Aos quase 30 tenho que ser uma pessoa responsável. Se isso implica acordar a resmungar para me ir enfiar dentro de água...well!; que seja. A ver se deixo de sentir os 30 no sangue :)

segunda-feira, 2 de março de 2015

Counting down -27

Abril 2014
Acordar e negociar com os lençóis. Deixar a piscina para amanhã - sem negociação. Abrir os olhos depois de nove revigorantes [e muito necessárias] horas de sono e pensar no dia. Sair de casa com tudo a horas. Resolver o primeiro imprevisto do dia. Resmungar até ao primeiro encontro.

A meio da entrevista!, perceber que é isto. É realmente isto. Perceber que crescemos tanto nos últimos tempos. Que somos felizes.

Sair com um mimo debaixo do braço e a felicidade de uma vida cheia. Aos quase 30 podia ter muito mais. Mas dificilmente me sairia um sorriso rasgado. Aos quase 30 saber que temos percorrido o caminho certo. Devagarinho.

Antecipar o almoço que com a amiga-madrinha-transatlântica-que-voltou e sorrir de novo.

E agradecer. Só mais uma vez. E outra. E outra.

domingo, 1 de março de 2015

Counting down -28

Central Park. 2014
Entrámos no meu mês. O lembrete veio de outro continente!, de uma amiga que devia estar mais perto fisicamente.

Entrámos no meu mês, nos últimos dias antes dos 30. Há muitos anos havia muitos planos sobre onde estaria aos 30 anos. Hoje há só uma imensa gratidão por tudo o que me trouxeram os últimos 29. Hoje entrámos no mês da reflexão. De olhar para tudo o que já consegui e o que ainda falta. Na certeza de que os 30 não são os novos 20.

São uma nova década que começa. Com algumas pessoas de sempre, com tantas novas e com a profunda convicção de que muita coisa boa vai chegar com ela.

Há precisamente um ano andava a brincar na neve numa das minhas cidades favoritas, em ótima companhia.

Será um bom presságio?:)
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