quarta-feira, 18 de março de 2015

Counting down -10

Os meus 29 anos de vida, até agora, foram bons. Foram ótimos, a bem da verdade. Em 29 anos houve momentos maravilhosos, momentos menos bons, momentos assustadores e momentos incríveis. Acho que nunca houve momentos terríveis. Se houve, demos graças à natureza por estar tão bem feita que nos não guarda memória da dor, mas só da alegria.

A minha memória não me permite recordar mais do que, talvez, uns 24 ou 25 anos da minha vida. Tenho uma ou outra lembrança que poderá ser anterior a isso – como aquela vez em que fui internada porque bebi meio frasco de remédio para o enjoo e nem conseguia falar, só dormir. Desse quarto de século, as lembranças são incríveis.

Lembro-me de ficar muito feliz quando nos mudámos para a 'casa nova'. Eu ia entrar na escola primária, que ficava a duas ruas de distância, e tinha uma casa nova. Onde havia espaço para brincar, para estudar, para correr. Por lá passaram muitos, tantos amigos: os trabalhos de grupo eram lá em casa, as preparações de atividades de escuteiros também. As amigas podiam lá dormir, o vão das escadas era incrível para ouvir conversas alheias e por debaixo daquelas portas passaram os segredos mais incríveis em formato bilhete-dobrado-em-quatro.

Lembro-me bem da minha professora primária, a professora Helena. Exigente, dura, possivelmente a melhor professora que poderia ter tido naquela idade. Lembro-me de passar para a preparatória assustada, mas na certeza de que ia correr bem porque, afinal, ia com a minha melhor amiga. A passagem para a secundária, mais dramática, porque ela queria ficar e a minha mãe queria que eu fosse. Fomos as duas, de mãos dadas, quase, para a escola dos crescidos. Brincávamos juntas, estudávamos juntas, passávamos férias juntas, crescíamos juntas. Tenho a certeza absoluta de que muito do que sou hoje devo-o também a ela, minha amiga desde que tenho memória – já passámos por tantas, tantas coisas.

Depois o secundário. Os amores, os desamores, os novos amigos. Os escuteiros, desde miúda, sempre, tão responsáveis por muito, tanto do que sou hoje. Foram mais de dez anos de uma vivência absolutamente incrível, que nunca, jamais me sairá da pele. De lá trago os melhores ensinamentos, as melhores práticas, a vontade de ser sempre melhor, junto de quem o quiser ser, também.

Quando chegou a hora da faculdade, a primeira dúvida: teatro? Os pais nem gostavam lá muito, eu era apaixonada, fiquei pela penúltima fase de entrada no Conservatório. Fui para a segunda opção – acho que a culpa foi da Lois Lane. Entrar na faculdade, ir viver sozinha para a cidade grande, crescer. Pela primeira vez, sozinha. Não havia melhor amiga – ela escolheu outra cidade, outra área – não havia ninguém conhecido, nem sequer havia ninguém com quem falar ao chegar a casa. Nada.

Houve no Verão anterior um grande, enorme amor. O primeiro. Que não cresceu mais porque não podia. Uma história bonita, muito bonita. Mas com caminhos que não estavam destinados a juntar-se. Houve uma depressão a seguir, logo no primeiro semestre do primeiro ano. Dura. Duríssima. Houve vários anos de desorientação. Com novos, bons, ótimos, incríveis amigos.
Houve mais uma aventura: estudar em Bruxelas, a cidade mais chata do mundo. Houve o fim do curso e um emprego, logo assim, sem sequer dar conta.

Oito meses depois houve outro emprego. Péssimo. Mas que me trouxe uma, duas amigas tão boas. Houve um mestrado tirado a ferros, com muito custo e muita ajuda paterna e mais uma partida. Essa, foi, talvez, uma das melhores decisões, um dos melhores riscos que tomei nestes 29 anos. O de partir, naquele dia 9 de Janeiro de 2009. Aos 24 anos o mundo era meu.

(To me continued...)

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