terça-feira, 21 de julho de 2015

Do que mais me custa

O que me custa mais, quando chega o Verão, não é esperar até às férias. Não é, sequer, os finais de semana em que fico a trabalhar ao invés de ir para a praia como 90% das pessoas deste país, e terminar os Domingos a ver o por-do-sol - perdão, sunset - numa esplanada com vista para o mar e direito a centenas de fotos.

O que me custa mais, quando chega o Verão e o trabalho não abranda - a silly season já era, mesmo que haja quem ache o contrário - é sair tarde. Tarde já de noite, e olhem que a noite chega tarde no Verão. O que me custa é sair tarde já de noite e falhar todos os copos de final de dia com os amigos, numa qualquer esplanada lisboeta, a ver a luz que só esta cidade nos dá.

O que me custa é não ter tempo para chegar a casa e ter vontade (sim, isso mesmo: não tenho tempo para ter vontade) de beber um copo de vinho branco enquanto faço o jantar, ou de partilharmos um gin e as história do dia com o calorzinho do final de dia. Mesmo que fiquemos sem jantar.

O que me custa é falhar consecutivamente jantares e almoços, quando toda a gente faz questão de mostrar - ainda por cima - incríveis refeições e cocktails em todas as redes sociais. Custa-me a falta que me faz estar com as pessoas. Custa-me não ter tempo para pensar, para parar, para estar, para ser mais do que tenho sido.

Por outro lado, há coisas maravilhosas que vão acontecendo durante esses minutos que correm, voam enquanto eu mal respiro. E essas coisas boas fazem esquecer as que me custam mais. E agarro-me a elas como se fossem tudo o que interessa para ver se, no final do dia, "mi sonrisa es mas fuerte que mi dolor".

Ps. Foi isso que fiz, por exemplo, durante os minutos em que vim aqui escrever isto, enquanto esperava que me editassem. Minutos que roubei a horas loucas de trabalho e de coisas. E que bons foram eles.


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