quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Pagar muito ou pagar justo?

Eu gosto de ir a restaurantes, no geral, mas confesso que tenho um gosto particular por alguns que, naturalmente, são mais caros do que eu gostaria. Enfim, problemas de ter um olho um bocado traiçoeiro e muito pouco económico. Seja como for, oiço regularmente as pessoas criticarem restaurantes porque cobram demasiado pela comida e pelo serviço. E é verdade. Há casos gritantes. Mas depois há outros casos em que sabemos exatamente porque não nos importamos de pagar mais. Hoje voltei a um restaurante onde fui, claramente, menos vezes do que os dedos de uma mão. Mas de todas as vezes que lá fui – ajudou algumas serem acompanhadas de habituées, naturalmente – os senhores trataram-me como se me conhecessem há anos. O mesmo sorriso, o mesmo aperto de mão, a mesma preocupação que devotaram a qualquer um dos outros clientes.

Hoje foi ainda mais divertido. Quando estava a sair, um dos senhores, que me viu aí umas três vezes, se tanto, cumprimentou-me e disse: “então e diga lá!, para quando é que é?”, olhando amoroso para a minha barriga. Respondi-lhe e ele “ah, é o primeiro, não é? Vai correr tudo bem! Ainda tem tempo para cá vir antes”, com um sorriso de genuína alegria – mais do que algumas pessoas que me conhecem, realmente.


E são estas pequenas coisa – quando não são forçadas, nem invasivas – que fazem com que um serviço se pague mais que outros. São estes pequenos pormenores que fazem com que nós gostemos de voltar a lugares onde pagamos mais do que gostaríamos, porque para além da comida ser irrepreensível, parece realmente que estamos em casa. O que não deixa de ser estranho. Mas bom.

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