quinta-feira, 21 de abril de 2016

Da vida adulta.

Aos 12, 13, 15 anos fazemos tantos planos. Olhamos para as nossas irmãs, oito, 10 anos mais velhas e sabemos exatamente onde estaremos quando tivermos a idade delas. Sentamo-nos com as nossas amigas de sempre a comer torradas em frente à lareira enquanto passam episódios da Malhação, fazemos tentativas falhadas de escrever livros com outras amigas e dedicamo-nos a jogar Sim Tower e Doom, a fingir que somos adolescentes rebeldes, afinal.

Na adolescência, pensamos em nós com 30 anos e temos a certeza de que já teremos quatro filhos, um cão, um jardim, um marido que faz o jantar e uma carreira esplendorosa. Teremos dinheiro e tempo para todas as viagens e planos que achamos merecer, e não andaremos de ténis nem de calças de ganga que isso não é roupa de adultos.

E depois chegamos aos 30. E aos 31. E até temos um marido - que não faz o jantar todos os dias, mas pronto -, um pequeno espaço a que podemos chamar jardim e um gato. Temos um filho a caminho [e estamos em pânico com essa ideia, quanto mais pensar em 4 assim de repente] e temos uma carreira que nos agrada, ainda que nos não dê o tempo e sobretudo, o dinheiro, para fazer tudo o que queremos. Saímos todos os dias, ou quase, de sorriso no rosto porque podemos continuar a trabalhar de calças de ganga e embora eu não seja muito de ténis, a verdade é que as All Star têm voltado a ser  grandes amigas dos últimos tempos.

Tal como há quinze anos, temos dúvidas existenciais, adoramos um bom mexerico e aproveitamos todos os momentos para poder estar com os nossos amigos - aqueles mesmo a sério, com quem não temos que pensar se estamos bem arranjados ou nas parvoíces que estamos a dizer. Aliás, essas passam mesmo a ser as pessoas mais importantes das nossas vidas, a par com a família (de sangue ou não).

Tal como há quinze anos, na maior parte dos dias somos apenas miúdos que não se dão conta de como já cresceram, de como a vida já mudou nesta década e meia, e gostávamos imenso de poder enfiar a cabeça na almofada em metade dos dias em que o despertador toca. Mesmo que 30 minutos depois, de cara maquilhada e um par de emails importantes respondidos, vistamos a farda dos adultos que não imaginámos mas que foi o melhor que conseguimos ser.

Aos 30 anos, afinal, não temos quase nada daquilo que pensámos que íamos ter, fizemos imensas coisas que nem imaginávamos, e ainda nos falta concretizar mais um par delas que nunca julgámos tão complicadas. Mas somos, sobretudo, pessoas mais conscientes da importância que temos no mundo. Mesmo que apenas no nosso. E isso, apesar de não valer por tudo, vale muito. Mesmo.

terça-feira, 19 de abril de 2016

Flo

O presente de aniversário dele foi!, para além do bilhete, a companhia num concerto que nem sequer lhe diz nada por aí além. Assistimos sentados que eu já não aguento duas horas em pé!, e foi absolutamente divinal. Ela é divinal, a música é boa e o espetáculo é incrivelmente simples e estrondoso. 

Tendo em conta o terramoto que sentimos na minha barriga durante todo o tempo!, a miúda também já está rendida à boa música - e Deus sabe que temos feito por isso!:) 

Que boa noite. Que boa música. Que bom marido. Que privilégio assistir a coisas boas destas que nos elevam o espírito e nos deixam de coração cheio. 



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