domingo, 15 de maio de 2016

Do salário-satisfação

Ela entrou em casa, de sacos na mão, material diverso a sair pela abertura, tudo em tons de rosa e muito colorido: balões, esponjas, bolas de papel, papel crepe, chupa-chupas, gomas, salgados, amêndoas, chocolates, you name it. Durante quatro horas, esteve incansavelmente a desenhar, recortar, passar linha, pendurada em bancos a colar coisas, a pensar como disporíamos toda a decoração.

E claro, ela ainda fotografou tudo!
Durante quatro horas falámos de política, de relacionamentos, de bebés, de trabalho, do estado do jornalismo, da vida. Acho que escolho as minhas amigas pelas virtudes ecléticas, pela capacidade de falar de vestidos e de economia, pela entrega e generosidade - e que bom ter esta sensação. Durante quatro horas ela garantiu que não estava cansada apesar de eu saber que tinha tido uma semana infernal de trabalho. E aqui estava ela: dedicada, atenta, sorridente, bem disposta, focada na tarefa como se estivesse a escrever sobre os seus amados dinossauros ou exoplanetas.

No dia seguinte, foi a primeira a chegar, depois de ter resolvido o drama da falha da encomenda por parte da pastelaria - "Amiga, eles esqueceram o meu pedido. Mas está tudo bem, já resolvi tudo!" - e lá vêm mais quatro sacos cheios de sanduíches, salgados, queijos e demais iguarias de que ninguém se lembraria muito menos nos 30 minutos em que ela, sozinha, resolveu o problema.

Na casa que ela sabe que também é dela, ela abriu armários, arrumou, limpou, dispôs, resolveu, acolheu, fotografou, tratou dos jogos, dos presentes (até para os convidados) e surpreendeu toda a gente com a capacidade incrível de por tudo a funcionar.

A festa foi maravilhosa. O carinho foi imensurável. A minha gratidão, imensa. O amor por estas amigas que se vão fazendo cada vez mais presentes, ainda maior.

Podem faltar-me algumas coisas na vida, posso queixar-me de vez em quando do salário, do trabalho, da situação política, das pessoas más. Mas nada, nada, nada se pode equiparar ao que me fazem sentir estas pessoas que nunca me deixam cair. São elas, também, que me fazem sentir a pessoa mais abençoada da terra. E saber que já gostam tanto da pequena mini me só me faz querer esborrachá-las de tanta gratidão e de descanso, por saber que estarão sempre presentes mesmo quando tudo quiser desabar.

Obrigada, obrigada, querida Giu, por nunca teres deixado que o Atlântico nos separasse. Obrigada por me fazeres sentir tanta coisa ao mesmo tempo e transformares momentos [às vezes tão] assustadores em histórias tão bonitas. Love you loads!

[e sim, é isto que é o meu salário-satisfação. E dificilmente pode ser aumentado, parece-me].

1 comentário:

  1. Ai, morri! Tô aqui chorando. <3 Faria mil vezes mais, querida. No seu próximo baby shower, já estaremos ainda melhor!

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