quarta-feira, 22 de junho de 2016

Não há receitas. Pois não?

Esta coisa da maternidade tem que se lhe diga: por um lado, somos assolados por uma quantidade de novos sentimentos que nem sequer sabíamos possíveis. Por outro, o cansaço, os receios, as dúvidas, as frustrações. Junta-se ainda a isto as alterações hormonais e as alterações físicas: a barriga da mãe que apesar de sem bebé lá dentro continua deformada, o peito do tamanho do mundo, o leite que de repente se torna uma realidade.

E claro, as noites mal dormidas porque é preciso alimentar e limpar esta coisa fofa que nos caiu de pára-quedas cá em casa, e a constante surpresa por não estarmos mais cansados apesar dos sonos entrecortados e do tanto que há para fazer...

Por aqui não nos queixamos: temos estado tranquilos (diz que temos sorte com o modelo que nos calhou em sorte), conseguimos dormir umas quantas horas, temos mantido a casa sossegada - tenho para mim que não há pior para crianças pequenas que muita agitação, pessoas em redor, barulho, colos e afins - e temos exercitado o cérebro: vemos notícias, lemos, vemos séries e conversamos sobre assuntos que não envolvam a miúda. É um exercício a que nos obrigamos porque dizem que ajuda.

Certo é que esta aventura é uma completa surpresa a cada dia que passa. Há sempre uma situação nova para resolver, há um olhar mais atento, há um gesto novo que deve ser totalmente involuntário mas que nos parece, naturalmente, um desenvolvimento incrível da nossa criança. E há dúvidas, todos os dias: será que estamos a fazer bem? Será que ela está bem? Será que come o suficiente, que dorme o suficiente, que está bem deitada, que é feliz?

Nós vamos repetindo para nós aquilo que as pessoas em quem confiamos nos vão dizendo: não há receitas!

E com isso vamos ignorando os bitaites gratuitos que toda a gente - mesmo TODA a gente, inclusivamente as senhoras que passam por nós na rua sem nos conhecer de lado algum - gosta de mandar; vamos tentando não ceder quando alguém nos diz que "isso não se faz assim" ou quando recebemos um olhar mais recriminador por alguma opção que tomamos em consciência. Mas digo-vos uma coisa: isso é possivelmente mais cansativo e mais desesperante do que o desafio de tratar desta pequena maravilha que nos chegou às mãos e que temos a obrigação de preparar para o mundo. Mas como não há receitas, continuamos animados e a viver um dia de cada vez. Sem receitas. Sem stress. Sem drama.

4 comentários:

  1. :D ainda bem que corre bem. Vocês são, com certeza, excelentes pais!
    Façam como acharem melhor e vai correr bem!

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  2. Tenho estado a acompanhar a bebé da minha prima, que é minha vizinha. Ainda não tem 2 semanas. É mesmo um grande desafio. E a vossa atitude parece-me sensata e correta :)

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    Respostas
    1. Daqui a uns 18 veremos se a miúda se tornou ou não numa boa pessoa! :)

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