terça-feira, 30 de agosto de 2016

Sete anos!

Há precisamente sete anos - se a memória e respectivos ajudantes da mesma não me falham - aterrava novamente em São Paulo para me tornar, 'oficialmente', numa Foca. Nunca a transformação num animal me pareceu tão apelativa como na altura. E nunca, nunca me arrependi de a ter feito. 

Há sete anos, precisamente, entrava a entrar sozinha na casa da querida amiga-irmã, que me recebeu de braços e coração aberto quando ainda não sabíamos que seríamos amigas-irmãs para sempre. 

A melhor vista da cidade 
Há sete anos a minha vida começaria a mudar para sempre: estagiar num dos maiores jornais de um dos maiores países do mundo só pode fazer-nos crescer, e como. Viver - viver, mesmo - num país que podia ser nosso, transforma-nos. Trabalhar com pessoas que têm mais anos de jornalismo do que nós de vida, transforma-nos. Ter que começar do zero, sem uma pessoa sequer na nossa agenda de contactos, transforma-nos. Não ter rede de apoio transforma-nos. 

Conhecer um povo que é tão diferente daquele a que pertencemos, transforma-nos. Ser parte dele, transforma-nos. Passar por tentativas de assalto, ser tratadas pela nossa amiga-irmã, superar tudo isso fora do nosso ambiente familiar, transforma-nos. Celebrar o final da etapa rodeada de pessoas que entretanto se transformaram em nossos amigos, alguns deles para a vida, transforma-nos.

Há sete anos Dilma ainda não tinha sido eleita para presidente. Hoje, precisamente hoje, luta para se manter como líder máximo do país que também já é meu de coração. Há sete anos foi anunciado que o Brasil iria organizar o Mundial de 2014, e eu celebrei como se tivesse sido Portugal a ganhar a corrida. Há sete anos eu sabia quase nada sobre tudo. Hoje sei um pouco mais, mas ainda tão pouco.

Hoje, sete anos volvidos, o meu coração é todo gratidão pelas pessoas que me permitiram as aventuras e pelas que se cruzaram comigo - pelas que entretanto foram e pelas que decidiram ficar na minha vida. Hoje, sete anos volvidos, a pessoa que eu sou é muito e muito pouco da pessoa que aterrou em Guarulhos para se transformar numa 'Foca'. Hoje, a 'Foca' está mais crescida mas continua a querer ser uma 'Foca': curiosa, expedita, atenta, brincalhona. 

Não cabem aqui as palavras que seriam precisas para lembrar, para agradecer tudo aquilo que o Brasil fez por mim. Não cabe no meu peito a gratidão e a alegria por, um dia, ter arriscado. Não cabe.


PS - Dizem que aos sete anos as relações sofrem uma crise. Por aqui continua tudo bem. Ainda sou apaixonada pelo país que fica do lado de lá do Atlântico. E adensam-se as saudades, a cada ano que não são aplacadas. Só para quebrarmos a tradição.

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