sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Caso de estudo

A pessoa anda empenhada: não só vai ao ginásio como cumpre as consultas de nutrição que lhe pedem para fazer, ouve com atenção, alimenta-se decentemente que ainda tem que comer por dois e dorme pouco...enfim. Mas a meio da consulta ouve isto: "É um caso de estudo..". Sou um..oi? "É um caso de estudo! De verdade".

E por que sou eu um caso de estudo, perguntam vós?

Ora, porque confessei à nutricionista que um pacote de frutos secos era coisa para me deixar cheia de fome na mesma - "mas mesmo depois de comer o pacote todo??", perguntou de novo. E eu encolhi os ombros: sim. É que fico mesmo. E não é um ratinho, é uma fome igualmente avassaladora.

Portanto, a parte boa desta consulta foi que ela me disse para eu continuar a comer como tenho feito até aqui: aumenta peça de fruta aqui, retira leite ali, mas no cômputo geral, parece que até me alimento bem. Aplaudiu os meus hidratos de carbono à noite, pediu para comer mais pão escuro - ah!, o meu pãozinho alentejano... - e foi isto. Tudo para ver se ganho mais músculos e, consequentemente, mais peso.

Há dias que terminam de forma pior!, de facto.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

De quem parte

No outro dia, a minha prima-irmã dizia-me que “quando chegamos a esta idade achamos que os amigos que temos são os que ficam. De repente, acontecem coisas destas”. Referia-se a um caso concreto que lhe aconteceu e pôs-me a pensar em tantos que este ano me trouxe.

As amizades, de facto, têm graça. Para além de ser boas, mesmo boas, quando o são, têm também a magia de, afinal, não serem nada daquilo que pareciam. É o que dá quando há duas pessoas na equação que acham que estão no mesmo mood até..não estarem.

Já escrevi aqui várias vezes que não sou pessoa de muitos amigos. Não sou. Tenho poucos, muitos vêm de há muitos anos, não tenho grupos coesos de amigos e claramente tenho pouca habilidade para os manter. Isso dever-se-á, eventualmente, à minha ideia tonta de que os amigos existem para que sejamos sempre sinceros com eles e de achar que não devo ter pruridos em 1)dizer-lhes o que penso; 2) ser quem sou. Mas apesar de isto ser algo muito claro na minha cabeça, continuo a surpreender-me com as pessoas – pelo menos não perco a capacidade de me surpreender e consta que isso nos rejuvenesce. Este ano houve várias pessoas que saíram da minha vida. Depois da surpresa – até porque algumas não percebi realmente porque o fizeram, ainda hoje – veio a tentativa de entender e depois disso, a resignação. Este ano tem sido uma boa lição de resignação. Não é que tenha desistido deles; simplesmente aceitei que eu não lhes faço sentido. E se isso antes me angustiava, agora vivo bem com o assunto. E até dou por mim a pensar: se calhar é mesmo melhor não estarem por cá. Não é incrível?

Isto não significa que não tenha avaliado o meu papel neste desfecho: fiz algo para isto acontecer? Tratei mal a pessoa? Não estive presente? Desleixei-me? Arrependo-me do caminho que traçámos juntos? Se a resposta é não a todas as questões anteriores, só há uma coisa a fazer: let it go. Porque às vezes as pessoas simplesmente não querem ser nossas amigas. E se isso por um lado custa [afinal, quem gosta que ‘desgostem’ de nós?], por outro lado é bastante revelador: se calhar estamos efetivamente em caminhos opostos e já não temos nada de bom para nos dar. Porque não vivemos a vida da mesma forma.


Mas o melhor disso tudo é perceber que não abdicaríamos do nosso caminho – e dos que ficam – para ir atrás daqueles que um dia se disseram amigos. E isso é reconfortante: é sinal de que estamos no percurso certo. 

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Mulheres em cargos de topo

Quando um homem conseguir, no espaço de uma hora e meia, ir a um encontro importante, voltar a casa, apanhar roupa, estender roupa, fazer sopa, temperar o jantar do dia seguinte e voltar a sair para ir ao ginásio (really? eu?), venham falar-me de que as mulheres não são adequadas para cargos de topo ou continuem a atirar-me para os olhos as vossas ideias machistas [e idiotas].

Obrigada.
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