segunda-feira, 10 de outubro de 2016

De quem parte

No outro dia, a minha prima-irmã dizia-me que “quando chegamos a esta idade achamos que os amigos que temos são os que ficam. De repente, acontecem coisas destas”. Referia-se a um caso concreto que lhe aconteceu e pôs-me a pensar em tantos que este ano me trouxe.

As amizades, de facto, têm graça. Para além de ser boas, mesmo boas, quando o são, têm também a magia de, afinal, não serem nada daquilo que pareciam. É o que dá quando há duas pessoas na equação que acham que estão no mesmo mood até..não estarem.

Já escrevi aqui várias vezes que não sou pessoa de muitos amigos. Não sou. Tenho poucos, muitos vêm de há muitos anos, não tenho grupos coesos de amigos e claramente tenho pouca habilidade para os manter. Isso dever-se-á, eventualmente, à minha ideia tonta de que os amigos existem para que sejamos sempre sinceros com eles e de achar que não devo ter pruridos em 1)dizer-lhes o que penso; 2) ser quem sou. Mas apesar de isto ser algo muito claro na minha cabeça, continuo a surpreender-me com as pessoas – pelo menos não perco a capacidade de me surpreender e consta que isso nos rejuvenesce. Este ano houve várias pessoas que saíram da minha vida. Depois da surpresa – até porque algumas não percebi realmente porque o fizeram, ainda hoje – veio a tentativa de entender e depois disso, a resignação. Este ano tem sido uma boa lição de resignação. Não é que tenha desistido deles; simplesmente aceitei que eu não lhes faço sentido. E se isso antes me angustiava, agora vivo bem com o assunto. E até dou por mim a pensar: se calhar é mesmo melhor não estarem por cá. Não é incrível?

Isto não significa que não tenha avaliado o meu papel neste desfecho: fiz algo para isto acontecer? Tratei mal a pessoa? Não estive presente? Desleixei-me? Arrependo-me do caminho que traçámos juntos? Se a resposta é não a todas as questões anteriores, só há uma coisa a fazer: let it go. Porque às vezes as pessoas simplesmente não querem ser nossas amigas. E se isso por um lado custa [afinal, quem gosta que ‘desgostem’ de nós?], por outro lado é bastante revelador: se calhar estamos efetivamente em caminhos opostos e já não temos nada de bom para nos dar. Porque não vivemos a vida da mesma forma.


Mas o melhor disso tudo é perceber que não abdicaríamos do nosso caminho – e dos que ficam – para ir atrás daqueles que um dia se disseram amigos. E isso é reconfortante: é sinal de que estamos no percurso certo. 

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