quarta-feira, 14 de junho de 2017

Sim, é preconceito.

Há largas semanas fui buscar a miúda à creche. É coisa que faço pouco, uma vez que é o pai quem está por norma incumbido dessa tarefa, por ser ele quem usa o carro para ir trabalhar. Quando lá cheguei, toquei como sempre à campainha e uma das auxiliares abriu-me a porta. Enquanto me dirigia ao berçário, fui abordada por uma das educadoras da sala dos mais velhos. "Olhe desculpe, a senhora é quem?", disse-me com ar inquisidor. Sorri e respondi, educadamente, de quem era mãe e quem vinha buscar e continuei o caminho. "Sabe, é que nunca a vi por cá", disse num tom a roçar a crítica. Respirei fundo, virei-me novamente com um sorriso e disse: "é natural, geralmente é o pai quem a vem buscar". E antes que me conseguisse virar, ela reforça, de nariz empinado: "Pois, realmente...estava quase a pedir-lhe o Cartão do Cidadão, porque realmente como nunca a tinha visto cá...".

Pensei, em 5 segundos, se lhe respondia como ela merecia ou se deixava ficar assim mesmo. Esbocei outro sorriso e disse-lhe apenas que faria lindamente em pedir-me a identificação, que uma das razões pelas quais gostamos daquela creche é pelo cuidado que têm com a segurança das crianças. E fui-me embora, buscar a miúda que, vá lá, me reconheceu apesar de eu nunca a levar ou ir buscá-la. E a pensar no que fazer para conseguir compensar, em casa, esta cultura educacional completamente enviesada de que a mãe é que tem a obrigação de ir buscar os filhos.

Acham, sinceramente, que a conversa seria a mesma se fosse eu a ir buscá-la todos os dias e o João a ir buscá-la só de vez em quando? E depois ainda me querem obrigar a não acreditar que muitas vezes são as mulheres as suas piores inimigas na prossecução da igualdade de género.


2 comentários:

  1. já me aconteceu parecido, no nosso caso sou eu que vou sempre o pai raramente. Uma dessas vezes raras foi o pai e o professor também perguntou quem ele era e ficou atento à reacção da filha ao pai. Acho que sim, que teria questionado na mesma quem era o seu marido se a história tivesse acontecido ao contrário.

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    1. Maggie, vi agora que não fui clara :) 1. Eu fui a todas as reuniões, sempre (a educadora dela sabe naturalmente quem eu sou); as auxiliares sabem quem eu sou - daí terem me aberto a porta; a diretora sabe quem eu sou. Aquela educadora em particular, qur se cruzou cmg a meio do edifício n tinha qualquer razão de segurança para me falar :)

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