quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

U gotta love SNS

Este título podia ser irónico mas não é: eu sou uma acérrima defensora do Serviço Nacional de Saúde, e mesmo com todas as falhas que ele tem, considero que é das melhores coisas que temos no país - e até já aqui escrevi sobre isso. Nuns hospitais e serviços mais do que noutros, como em tudo na vida, mas a verdade é que sou muito grata pela experiência, pela atenção e sobretudo, pela forma como tantas vezes conseguem fazer omeletes sem ovos.

Vamos por pontos, para que fique tudo claro: eu sou uma utilizadora intensiva de cuidados particulares de saúde. Os meus médicos - ginecologista, oftalmologista, urologista, dermatologista... - são todos particulares, bem como o pediatra da minha filha. Faço praticamente todos os exames em laboratórios particulares também, porque tenho um seguro de saúde que mo permite, e porque acredito piamente que não preciso de gastar recursos do Estado quando posso fazê-lo - ainda por cima de forma mais confortável e célere - no privado. Para além disso, penso na quantidade de pessoas que não podem pagar cuidados de saúde particulares, e faz-me zero sentido estar a ocupar lugares de listas de espera infindáveis quando ainda por cima tenho outras possibilidades. E sim, claro, tem um quê de snobeira: acho ótimo despachar-me num instante nos hospitais particulares, não ter que partilhar quartos e ter vários confortos que o público não pode proporcionar.

Mas adiante. Este ano foi profícuo em cenas de saúde: tive que fazer exames, operações, tratamentos, consultas, vacinas...uma panóplia de coisas muito engraçadas. Mas pior do que o que se passou comigo, foram as três entradas que dei nas urgências (públicas, sempre) com duas das pessoas de quem mais gosto no mundo: a minha filha e a minha mãe! Pior, no sentido de ter que lá ir. Porque foram experiências que merecem elogios e aplausos, e que nos fazem confiar no sistema, mesmo quando tudo nos quer dizer para não o fazermos.

A minha mãe entrou em Santa Maria com uma suspeita de AVC, e não podemos agradecer mais à maravilhosa equipa de neurologia que a atendeu, que se desdobrou em cuidados e segundas opiniões, que a tratou maravilhosamente arranjando consultas rapidamente e fazendo todos os despistes tão depressa quanto possível. Felizmente não se confirmou o pior, tem ali umas coisas para resolver mas está tudo encaminhado e eles continuam a fazer um trabalho irrepreensível - dentro, naturalmente, dos constrangimentos existentes. O primeiro neurologista que a atendeu, médico novo e potencialmente menos ligado ao lado humano, foi de um carinho que não tenho palavras para agradecer. Para além de ter acertado na mouche no diagnóstico inicial e de ter sido sempre prestável e disponível - thumbs up para a escola de médicos daquele hospital! <3 p="">
Também em Santa Maria - as únicas urgências pediátricas a que recorro, por defeito - deu entrada a minha miúda, por duas vezes. Felizmente por coisas nada de especial, mas que são enormes para nós, pais de primeira viagem. Curiosamente - ou não - ela foi atendida pela mesma médica (um grande beijinho para a Dra. Catarina Salgado!) das duas vezes, e sempre tão rápido que uma pessoa até fica meio abananada. Ainda ontem fiquei a olhar para o relógio mais de 10 segundos quando me apercebi de que entre darmos entrada e ela ser triada passaram menos de 10 minutos. E passaram uns 5 até ser chamada para ser vista. O cuidado com que os vêem, o cuidado com que mandam ministrar remédios,  com que não alarmam, com que não fazem internamentos gratuitos (até porque ali os internamentos não rendem dinheiro, ao contrário de nuns sítios e noutros...), o exame minucioso mesmo de madrugada, a atenção com que falam sempre connosco - felizmente, também, pessoas que sabem zero sobre o que é isto de aerossóis ou câmara expansoras ou o diabo a sete -, com que nos explicam, com que ouvem as nossas dúvidas que devem ser bastante tolas... tudo isto é impagável! E das poucas experiências que conheço de urgências pediátricas em outros hospitais particulares, Santa Maria fica a anos-luz - para muito melhor! - em termos clínicos e humanos.

E um aplauso maior para a gestão de recursos: ontem calhou-nos uma coisa chamada câmara expansora (que eu não fazia a mais pálida ideia do que era), que nos foi dada pela enfermeira com a indicação clara de que a guardássemos não só para fazermos a restante medicação em casa, mas para levarmos sempre que recorrermos às urgências com episódios que possam necessitar do seu uso. Uma boa forma de responsabilizar, de não fazer os pais gastarem dinheiro com recursos caros, e de reutilizar material! Well done!

Por isso, pessoas queridas, de cada vez que acharem que 20 euros/adulto de taxas moderadoras numa urgência é um valor caro, pensem bem na responsabilidade destas pessoas, no que elas ganham, no que se gasta com a sua formação; no custo real de cada coisa que lá fazem - aliás, pensem só na tabela de um hospital particular e verão o que digo. E claro, pensem em como não poderíamos viver sem estas pessoas. E na sorte que temos por conseguirmos prover saúde a baixos custos para toda a gente de que dela precise.

Sem comentários:

Enviar um comentário